segunda-feira, 1 de junho de 2015

Rádio no século XXI



Como tema do último capítulo, tem-se o rádio digital no Brasil . Apesar de a tecnologia ser datada da década de 1990, ela se apresenta muito pouco dentro do país, levando em consideração outros países, devido ao alto investimento exigido para o seu pleno funcionamento, e também pelo resultado não muito estimulador apresentado em testes já realizados por emissoras de rádio espalhadas pelos grandes centros do território nacional.

A rádio digital tem uma qualidade do som perfeita e indiscutível quando funciona de forma correta, porém, os recursos tecnológicos ligados à multimídia e à interação com o usuário são escassos se comparados com as possibilidades que a internet apresenta a preços bem mais atraentes . 

Finalizando o livro, e se utilizando de uma leitura crítica sobre o potencial do rádio digital no Brasil, a autora ainda acrescenta que apresar das dificuldades encontradas agora, com a implementação dessa nova tecnologia, o rádio sempre surpreendeu pela capacidade de superar momentos críticos, e que o mesmo deve acontecer atualmente. 

"o digital não traz o propósito de ser superior a nenhum veículo, como aconteceu no advento da televisão, na década de 1950, mas de oferecer uma tecnologia mais avançada aos meios de comunicação existentes . é possível que o rádio não se adeque às exigências da contemporaneidade, mas é muito mais provável que saiba utilizar-se das novas possibilidades para continuar ativo, vibrante e companheiro."



A tipologia das emissoras de rádio

O quarto capítulo, por sua vez, traz uma classificação da grande variedade dos tipos de rádio no país.
Fala-se então da história e dos propósitos das rádios educativas, comerciais, livres, rádios-poste, webrádios, e das rádios comunitárias (RadCom), que são um tipo especial de emissora de rádio FM, de alcance limitado a, no máximo, 1 km a partir de sua antena transmissora, com potência de transmissão irradiada máxima de 25 watts, que tem como objetivo, proporcionar informação, cultura, entretenimento e lazer a pequenas comunidades, sem fins lucrativos.

Cada tipo tem sua particularidade, histórias, e suas próprias leis que regem ou que inibem a sua existência e os desafios que devem enfrentar tendo em vista o novo panorama apresentado na contemporaneidade. 

Segundo Raquel, essa apresentação da tipologia das rádios traz elementos para análise crítica de jovens estudantes de jornalismo e profissionais da área, com o objetivo de ampliar a discussão sobre a presença inigualável do rádio na vida das pessoas . Tal presença não recebe maior atenção pela lógica do mercado, que dá ênfase a outros elementos que não são necessariamente, os da sociedade.

Aqui, um exemplo de rádio comunitária:






Guerra dos Mundos




Durante a fase de estruturação do rádio, entre 1932 e 1940, um famoso episódio aconteceu no rádio, Herbert George Wells, mais conhecido como H. G. Wells, escreveu, em 1898, a Guerra dos Mundos. O livro é o terceiro de uma trilogia com A Máquina do Tempo (1895) e O Homem Invisível (1896). A história do livro narra a invasão de marcianos inteligentes na Terra e foi adaptado diversas vezes para o cinema, sendo que a última foi feita em 2005, por Steven Spielberg, com Tom Cruise e Dakota Fanning. No entanto, a adaptação mais famosa é a 30 de outubro de 1938, quando Orson Welles, com estilo jornalístico, encenou uma peça de radioteatro pelas ondas da rede norte americana de rádio CBS (Columbia Broadcasting System) e deixou milhões de desesperados pelas ruas, acreditando que a invasão era real. 

Na época, a CBS calculou que cerca de 6 milhões de pessoas tenham ouvido o programa, das quais metade sintonizou o rádio quando o programa já havia começado, perdendo, portanto, a introdução, que informava tratar-se de um radioteatro semanal da emissora. Mais de 1 milhão de pessoas acreditaram que o fato era real e, muitas, em pânico, sobrecarregaram as linhas telefônicas, criaram aglomerações nas ruas na tentativa de fugir do perigo. 

A História do Rádio




História do Rádio: das ondas hertzianas ao digital se trata do capítulo 3, e nele se traz a história da radiodifusão, destacando o rádio desde suas primeiras experiências, até como ele se comporta na atualidade. O capítulo mostra como a mídia representada nasceu sob bases educativas, passando pelos momentos com grandes produções artísticas, envolvendo programas de auditório com vários músicos e humoristas.


Durante a fase de implantação, que aconteceu entre 1919 a 1932, Rachel explora os primeiros anos de rádio dentro do Brasil, e como ela foi implantada.

Entre 1932 e 1940, aconteceu a fase da estruturação, onde as empresas radiofônicas lutavam para conseguir espaço, e como lidavam com os gastos, e dificuldades em se sustentar uma emissora, destacando as pequenas fatias de publicidade. O incentivo na década de 30 acaba popularizando o rádio, e foi em 1935 que foi assinado o decreto em que torna obrigatório  transmissão diária do programa noticioso A Voz do Brasil, que na época se chamava Hora do Brasil.


Já nos anos que vão de 1940 a 1945, acontece o apogeu do rádio, chamado de era de ouro, caracterizado então por programas ecléticos, como os de auditório, as radionovelas, os de esporte e de jornalismo.


Apesar da boa fase, o rádio em entra em decadência entre os anos de 1955 e 1970, quando ocorre a implementação da televisão no Brasil. Apesar de nos anos iniciais, poucas pessoas possuirem televisores, o rádio acaba perdendo a maioria do seu elenco, e consequentemente, perdendo anúncios.

Acontece então a fase de reestruturação, na década de 1970, que ocorre durante o regime militar, onde havia muita censura em todos os meios de comunicação.

Já na década de 1980, acontece a fase de segmentação, onde rádios próprias para determinados públicos foram inauguradas, citando como exemplo a Rádio Mulher.

A partir da década de 1990, destaca-se então as rádios religiosas, e as comunitárias.

"O rádio, que já tinha sido o veículo mais popular de comunicação do país, perdeu espaço para a televisão, mas ganhou mobilidade, chegou às ondas de frequência modulada (FM), aos satélites e alçou voos ainda mais desafiadores com a entrada no mundo digital, ainda tímida no Brasil, e na internet, onde encontra novas bases para se reinventar e conquistar sua audiência, cujas particularidades são bastante distintas do ouvinte regular, uma vez que a interatividade leva a um nível de co-participação inédita na história do veículo, embora tal interação sempre tenha existido no rádio por meio de participações por cartas e telefonemas."

Discutindo sobre ética...





No segundo capítulo, discute-se um pouco mais sobre ética pessoal, coletiva e deontológica, ou seja, profissional, abordando aspectos dos códigos de conduta da radiodifusão, ligados ao setor empresarial, e dos jornalistas, que lida diretamente com o exercício da profissão . 
No Jornalismo há a presença de diversos códigos de ética, sendo que no Brasil há a presença do Fenaj - Federação Nacional dos Jornalistas, do ANER -  Princípios éticos da Associação Nacional dos editores de Revista, e vários outros. Além Disso, o país é signatário da Declaração de Chapultepec, uma carta de princípios assinada em 1994, no México, por chefes de estado, juristas e entidades ou cidadãos comuns.


Declaração de Chapultepec
I.  Não há pessoas nem sociedades livres sem liberdade de expressão e de imprensa. O exercício dessa não é uma concessão das autoridades, é um direito inalienável do povo. 
II.  Toda pessoa tem o direito de buscar e receber informação, expressar opiniões e divulgá-las livremente. Ninguém pode restringir ou negar esses direitos. 
III.  As autoridades devem estar legalmente obrigadas a pôr à disposição dos cidadãos, de forma oportuna e equitativa, a informação gerada pelo setor público. Nenhum jornalista poderá ser compelido a revelar suas fontes de informação. 
IV.  O assassinato, o terrorismo, o sequestro, as pressões, a intimidação, a prisão injusta dos jornalistas, a destruição material dos meios de comunicação, qualquer tipo de violência e impunidade dos agressores, afetam seriamente a liberdade de expressão e de imprensa. Esses atos devem ser investigados com presteza e punidos severamente. 
V.  A censura prévia, as restrições à circulação dos meios ou à divulgação de suas mensagens, a imposição arbitrária de informação, a criação de obstáculos ao livre fluxo informativo e as limitações ao livre exercício e movimentação dos jornalistas se opõem diretamente à liberdade de imprensa. 
VI.  Os meios de comunicação e os jornalistas não devem ser objeto de discriminações ou favores em função do que escrevam ou digam. 
VII.  As políticas tarifárias e cambiais, as licenças de importação de papel ou equipamento jornalístico, a concessão de frequências de rádio e televisão e a veiculação ou supressão da publicidade estatal não devem ser utilizadas para premiar ou castigar os meios de comunicação ou os jornalistas. 
VIII. A incorporação de jornalistas a associações profissionais ou sindicais e a filiação de meios de comunicação a câmaras empresariais devem ser estritamente voluntárias. 
IX.  A credibilidade da imprensa está ligada ao compromisso com a verdade, à busca de precisão, imparcialidade e equidade e à clara diferenciação entre as mensagens jornalísticas e as comerciais. A conquista desses fins e a observância desses valores éticos e profissionais não devem ser impostos. São responsabilidades exclusivas dos jornalistas e dos meios de comunicação. Em uma sociedade livre, a opinião pública premia ou castiga. 
X.  Nenhum meio de comunicação ou jornalista deve ser sancionado por difundir a verdade, criticar ou fazer denúncias contra o poder público.


Radiodifusão: o que é?

No livro, o conceito de radiodifusão é definido como:

"De forma simplificada, radiodifusão é a transmissão de ondas de radiofrequência moduladas propagadas eletromagneticamente através do espaço . Segundo informações disponíveis no portal do Ministério das Comunicações, serviços de radiodifusão correspondem àqueles que, estabelecidos por legislação própria, “promovem a transmissão de sons (radiodifusão sonora) e de sons e imagens (televisão), a serem direta e livremente recebidas pelo público em geral, o que é modernamente denominado comunicação eletrônica” (p. 16)

O acesso à radiodifusão é gratuito, e para garantir a recepção, basta comprar o aparelho. Os servições de radiodifusão são classificados quanto ao tipo de transmissão (sons e de sons e imagens), quanto à área (local, regional, nacional), quanto ao tipo de modulação (AM - amplitude modulada e FM - frequência modulada), quanto ao tipo de funcionamento (horário limitado ou ilimitado), quanto à faixa de frequência e ondas radioelétricas (ondas médias, tropicais, curtas, muito curtas e ultracurtas), e também quanto à modalidade, os serviços podem ser de radiodifusão comercial como TV, RTV (retransmissora), Rádio AM (Ondas médias, Ondas tropicais e Ondas Curtas) e FM ou mesmo de radiodifusão educativa (TV educativa, RTV educativa, Rádio educativa) ou ainda radiodifusão comunitária.

O acesso à radiofusão é gratuito, bastando que os interessados adquiram aparelhos para a recepção . 

Sobre o Primeiro Capítulo...




O primeiro capítulo do livro, chamado de Radiodifusão: aspectos legais e índices do rádio na atualidade, trata de forma bastante aprofundada a legislação da radiofusão brasileira, envolvendo o Rádio e a TV. 

Rachel apresenta o que é concedido à essas duas mídias pelo Ministério das Comunicações, englobando as rádios AM e FM, e as rádios comerciais, educativas e comunitárias. Neste capítulo, a autora quer que as leis que regem o setor se tornem conhecidas ao público, para que se possa fazer uma análise crítica do novo Marco Regulatório da Mídia, já que o mesmo carece de uma ampla discussão popular, já que todos esses meios de comunicação estão presentes a todo momento na vida de toda a população brasileira.

Mais a frente, busca-se expor dados do rádio atualmente, mostrando o veículo quanto aos termos de acessibilidade, mobilidade, e sobre o fator publicitário.

Com a utilização de várias pesquisas neste capítulo, descobre-se que apesar de praticamente não se fabricarem mais aparelhos de rádio, o futuro da mídia não está condenado, já que o celular está presente na vida de grande parte das pessoas com mais de 10 anos de idade, sendo que mais de 36% dos aparelhos tem equipado os receptores de áudio. Além disso, metade da população que tem estudo, escuta o rádio todos os dias, sendo no automóvel, em casa, em escritórios, e até mesmo na rua.

"em artigo produzido pelo IBOPE Mídia23 e publicado na revista Rádio e Negócios24, em novembro de 201025, foi possível verificar que das 65 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade das regiões metropolitanas e no interior do Sul e do Sudeste, 50 milhões ouvem rádio regulamente." (p. 27)